ATLAS DE PORTUGAL

UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA

 

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Raquel Soeiro de Brito

CLIMA E SUAS INFLUÊNCIAS

A vegetação 'natural'

Pela latitude a que se encontra o território continental, pela distribuição da temperatura, da queda de chuva e do seu regime, distinguem-se duas regiões de vegetação ‘natural’: a norte, caracteristicamente atlântica, com espécies de folhagem caduca, típicas da Europa oceânica – que encontram em Portugal o seu limite meridional; a sul, a mediterrânea, predominantemente com espécies de folha persistente e adaptações xerofíticas, apanágio das áreas de clima mediterrânico. Grosseiramente, pela latitude de Coimbra estabelece-se uma faixa irregular de transição.
As Regiões Autónomas pertencem a um vasto conjunto ambiental – a Macaronésia – que engloba também os arquipélagos das Canárias e de Cabo Verde. Apesar das diferenças climáticas, com especial relevo para a precipitação (muito abundante nos Açores, rara em algumas ilhas cabo-verdeanas), todas as ilhas foram revestidas por uma densa cobertura de árvores de grande porte e de arbustos, porventura mais rica em número do que em espécies: a laurissilva, floresta constituída maioritariamente por lauráceas, como vinhático, pau branco, til, cedro do mato, entre outras; foi desaparecendo pela intervenção do homem, primeiro pela necessidade de arranjar espaço para culturas alimentares e pastos para os gados, depois pelo desenvolvimento da população e consequente aumento da construção imobiliária. Hoje, a laurissilva só tem importante representação em algumas áreas das Canárias Ocidentais e, principalmente, na Madeira, em áreas compreendidas entre os 300-600m e os 1500m, em especial nas encostas setentrionais; aqui, pelo seu significado e extensão (15 mil hectares) foi integrada no seu Parque Natural e classificada, em 1999, como Património da Humanidade.
Nos Açores, pelo interior, ainda hoje se veem matas de vinhático, queiró, uva da serra, urze e loureiro, aparecendo as duas última espécies também no litoral, em lavas vulcânicas em estado avançado de evolução, frequentemente juntas com o incenso, subespontâneo; todavia, o cedro do mato já desapareceu em algumas ilhas, sendo raro, e só resistindo em lugares de refúgio, noutras, como em São Miguel. Mas, se umas espécies se extinguiram, outras foram introduzidas, um pouco de todo o mundo, e, pelas condições locais, se espalharam e adaptaram de tal maneira que constituem, hoje, um elemento inseparável destas paisagens: fetos arbóreos, coníferas – entre as quais se contam algumas variedades de araucárias e a criptoméria, umas e outras formando extensos povoamentos – belas hortênsias, que ainda vão dividindo os pastos, e as exóticas e perfumadas conteiras que cobrem grandes áreas dos maciços montanhosos.
Nas ilhas do arquipélago da Madeira, “que do muito arvoredo assim se chama”, como escreveu Camões, a devastação ainda foi maior, nomeadamente em Porto Santo e na vertente sul da Madeira, onde da primitiva laurissilva, fora do Parque Natural, já só se encontram algumas espécies em estado de relíquia, como o dragoeiro (que, pela sua beleza e imponência, é plantado em jardins), o jasmineiro amarelo e o zimbreiro, entre outras. Também neste arquipélago algumas plantas introduzidas adquiriram caráter subespontâneo, como a opúncia, ou tabaiba, e o agave, ou pita, de adaptação xerófita, aqui encontrando boa aclimatação nas encostas meridionais, evidenciando bem os largos períodos de secura estival; são, ainda hoje, indissociáveis da fisionomia destas ilhas.

Exemplos de vegetação
Exemplos de vegetação (Mediterrânea, Laurissilva, Atlântica)

 

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