| 
Cagarra,
Calonectris diomedea, e flamingo, Phoenocopterus
ruber
No final da década
de 70 do século XX foi lançado um projecto
com vista à protecção de aves, algumas
delas em risco de extinção; para isso procedeu-se
à identificação, monitorização
e protecção de Zonas Importantes para
Aves vulgarmente designadas IBA (abreviatura da terminologia
inglesa Important Bird Areas).
O projecto, da responsabilidade da Bird Life International
é de âmbito mundial e permitiu já referenciar
mais de 20 000 dessas áreas, em todo o mundo, das
quais mais de 3 600 só na Europa. Em Portugal, o
Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação
da Natureza, primeiro, e, depois, a Sociedade Portuguesa
para o Estudo das Aves, referenciaram 90 IBA, das quais,
51 no Continente, 31 nas ilhas açoreanas e 8 no arquipélago
da Madeira, cobrindo uma superfície total de quase
um milhão e meio de hectares, correspondendo a cerca
de 16% do território nacional. A sua delimitação
é parcialmente coincidente com as das Áreas
Protegidas (Rede Nacional e Rede Natura 2000).
Esta identificação baseou-se em critérios
internacionais de classificação tendo em conta,
principalmente, a ocorrência de espécies ameaçadas
a nível “global, europeu e da União
Europeia”. O actual inventário das 90 iba proporcionará
a “protecção a mais de 90% da população
nacional de pelo menos 31 espécies de populações
nidificantes (Directiva 79/409/CEE – Directiva Aves)
e “protegerá ainda entre 50-90% da população
nacional de oito espécies” indicadas no anexo
dessa Directiva, bem como dos respectivos habitats,
de variados usos. Os habitats naturais nas zonas
húmidas são “particularmente importantes
para grandes concentrações de aves invernantes”
e os montados de azinho e sobro e as florestas de altitude,
proporcionam boas condições para espécies
variadas. Nos arquipélagos dos Açores e da
Madeira, as áreas rochosas e de vegetação
macaronésia são importantes para as colónias
de aves marinhas e para a propagação de espécies
exóticas. A concentração de aves migratórias
e a variedade de espécies em determinadas áreas
constitui também motivo de protecção;
por exemplo, o elevado número de cegonhas, aves de
rapina ou grous, tantas vezes avistados em várias
áreas do Leste Alentejano e da Costa Sudoeste; e
os números significativos de populações
de aves aquáticas em algumas zonas húmidas,
com destaque para os estuários do Tejo e Sado e a
Ria Formosa. Nas Ilhas, pela sua raridade refiram-se as
aves marinhas Cagarra (Calonectris diomedea) nos
Açores e o Gon-gon (Pterodroma feae) nas
Desertas, Madeira, para além do Priôlo (Pyrrhula
murina) e da Freira (Pterodroma madeira),
endémicos, respectivamente, de São Miguel,
e da ilha da Madeira.
|