ATLAS DE PORTUGAL

OS HOMENS E O MEIO

 

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Nuno Pires Soares

UMA POPULAÇÃO QUE SE URBANIZA
Mudanças recentes

Portugal, no último meio ou quarto de século é marcado por importantíssimas mudanças que ocorreram ao nível dos ‘territórios urbanos’.
Nestes territórios, localizados maioritariamente no litoral, foi-se acumulando uma população oriunda de vastas áreas do interior do país que aqui encontrou, genericamente, uma má qualidade de vida, decorrente de uma lógica imobiliária primária a par de um manifesto incumprimento, ou desarticulação, dos instrumentos de planeamento.
O actual cenário urbano é composto por dois importantes quadros: por um lado a cidade propriamente dita, como entidade herdada e (re)conhecida tradicionalmente como tal, monocêntrica, densa e contínua, que o vulgo da população e das instituições começa a reconhecer actualmente como património, pese embora o decréscimo da sua população residente e a perda de vitalidade das suas actividades económicas. O segundo quadro é referente a uma outra entidade que poderemos designar de ‘cidade contemporânea’ que não apresenta contornos espaciais nem bem definidos nem contínuos, antes espaços profundamente fragmentados de densidade e tipo muito variado. A cidade contemporânea, que é marcada pelo policentrismo, pela descontinuidade e pela fragmentação inclui, na sua ampla diversidade de espaços, a cidade com História e reconhecível por esse atributo, a par da urbanização sem ‘alma’ onde a tradição, a identidade e a noção de pertença estão ausentes.
A presente situação urbana, mais complexa e imprecisa, ultrapassou o modelo metropolitano no qual era passível a identificação do dualismo centro-periferia. Hoje, imperam a mobilidade e as relações de fluxos em vastos quadros sistémicos espaciais, fragmentados e descontínuos.
Portugal atravessa actualmente uma fase de urbanização que se sobrepõe parcialmente a um período ainda mal consolidado de terciarização onde sobressaíu um tipo de ‘urbanização de génese ilegal’ a par da emergência da primeira geração de Planos Directores. Sem ainda estar concluída esta fase, assiste-se ao início de uma outra que corresponde à expansão da rede de auto-estradas e à inauguração de hipermercados, grandes centros comerciais, parques de escritórios e parques temáticos a par de novos condomínios residenciais, disseminados entre cidades e construindo novas centralidades sem um conhecimento exaustivo dos seus impactos a médio prazo.

 

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