Portugal, no último
meio ou quarto de século é marcado por importantíssimas
mudanças que ocorreram ao nível dos ‘territórios
urbanos’.
Nestes territórios, localizados maioritariamente no
litoral, foi-se acumulando uma população oriunda
de vastas áreas do interior do país que aqui
encontrou, genericamente, uma má qualidade de vida,
decorrente de uma lógica imobiliária primária
a par de um manifesto incumprimento, ou desarticulação,
dos instrumentos de planeamento.
O actual cenário urbano é composto por dois
importantes quadros: por um lado a cidade propriamente dita,
como entidade herdada e (re)conhecida tradicionalmente como
tal, monocêntrica, densa e contínua, que o vulgo
da população e das instituições
começa a reconhecer actualmente como património,
pese embora o decréscimo da sua população
residente e a perda de vitalidade das suas actividades económicas.
O segundo quadro é referente a uma outra entidade
que poderemos designar de ‘cidade contemporânea’ que
não apresenta contornos espaciais nem bem definidos
nem contínuos, antes espaços profundamente
fragmentados de densidade e tipo muito variado. A cidade
contemporânea, que é marcada pelo policentrismo,
pela descontinuidade e pela fragmentação inclui,
na sua ampla diversidade de espaços, a cidade com
História e reconhecível por esse atributo,
a par da urbanização sem ‘alma’ onde
a tradição, a identidade e a noção
de pertença estão ausentes.
A presente situação urbana, mais complexa e
imprecisa, ultrapassou o modelo metropolitano no qual era
passível a identificação do dualismo
centro-periferia. Hoje, imperam a mobilidade e as relações
de fluxos em vastos quadros sistémicos espaciais,
fragmentados e descontínuos.
Portugal atravessa actualmente uma fase de urbanização
que se sobrepõe parcialmente a um período ainda
mal consolidado de terciarização onde sobressaíu
um tipo de ‘urbanização de génese
ilegal’ a par da emergência da primeira geração
de Planos Directores. Sem ainda estar concluída esta
fase, assiste-se ao início de uma outra que corresponde à expansão
da rede de auto-estradas e à inauguração
de hipermercados, grandes centros comerciais, parques de
escritórios e parques temáticos a par de novos
condomínios residenciais, disseminados entre cidades
e construindo novas centralidades sem um conhecimento exaustivo
dos seus impactos a médio prazo.
 
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