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Terra arável dentro das
explorações, 1999

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Desde a adesão de Portugal
à ex-CEE, a produção agrícola
tem crescido menos do que a oferta
alimentar. O resultado é
um défice crescente do grau de autossuficiência
em produtos agrícolas. Em 2002 Portugal produziu
apenas 1/4 dos cereais consumidos, cerca de 2/5 do trigo
e do milho, 1/3 das oleaginosas e do vinho de mesa, 2/3
da batata, 4/5 dos frutos e metade do arroz, para referir
apenas alguns exemplos. Houve no entanto excedentários
em alguns produtos tais como vinhos de qualidade (mais do
dobro do que os consumidos) e hortícolas, (cerca
de vez e meia); havia défice nas carnes de bovino,
suíno, caprino e ovino, cuja produção
representou pouco mais de 3/5 do consumo interno, embora
o conjunto da produção animal ultrapasse ligeiramente
as necessidades. A agricultura tem uma importância
muito variável segundo as regiões. Em termos
de emprego é especialmente importante na região
Centro, mas é no Alentejo que o valor acrescentado
é mais elevado. A antiga NUT Lisboa e Vale do Tejo
era a região que apresentava a menor importância,
embora aqui se concentrem os pomares e as vinhas mais produtivas
de Portugal.
A contribuição
das regiões Norte e Centro para a produção
agrícola nacional tem vindo a diminuir,
Distribuição
dos usos do solo, por NUT II,1999 |
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principalmente na região
Norte (25,1% em 1995/96; 23,7% em 1990/00), embora a agricultura
continue a ser muito importante na economia local destas
regiões que apresentam padrões de especialização
muito semelhantes quanto à produção
vegetal. Os produtos hortícolas, os frutos (incluindo
as uvas) e o vinho representam os principais setores da
produção. O vinho é especialmente importante
na região Norte, representando quase 1/5 da produção
agrícola regional e mais de 2/5 da produção
total nacional. As duas regiões concentram a produção
nacional de centeio e mais de metade da de azeite. Apesar
da quebra registada na produção animal, o
desenvolvimento no setor leiteiro tem sido responsável
pelo incremento de plantas forrageiras que já representam
mais de 6% da produção agrícola nas
duas regiões. Na região Centro, destaca-se
ainda o aumento da produção de aves embora
a sua contribuição para a produção
total nacional tenha vindo a diminuir.
Distribuição
do uso do solo agrícola em Portugal

Nota: os dados
correspondentes ao ano 1979 referem-se apenas as Continente.
Na região do Alentejo,
que apresenta o segundo PIB mais baixo do país (54,5%
da média da UE em 2000), logo a seguir aos Açores,
a agricultura representa uma parte importante da economia
regional, quer como emprego, quer como valor acrescentado.
Uma das suas características mais importantes é
a diferente especialização, relativamente
às outras regiões, o que, em certa medida,
também está relacionado com a contribuição
da Política Agrícola Comum (PAC), quer através
de instrumentos de apoio ao mercado, como aos preços
(leite, açúcar e bovinos), quer por pagamentos
diretos (cereais, tabaco, oleaginosas, bovinos e ovinos).
Ainda é no Alentejo que se produzem mais de 40% dos
cereais do país, toda a produção de
trigo duro e cerca de 70% da de trigo mole assim como a
totalidade da cevada, aveia e oleaginosas. A produção
de tabaco em rama, açúcar, plantas forrageiras
e azeite é igualmente importante, representando entre
18% (tabaco) e 30% (açúcar) da produção
nacional. Os hortícolas têm também algum
peso, embora menor do que nas restantes regiões nacionais.
Regista-se uma acentuada especialização no
setor da carne, cuja importância aumentou ao longo
da década de 90; aqui se criam mais de 1/4 dos bovinos
e mais de metade dos ovinos.
A agricultura na região
do Algarve baseia-se principalmente na produção
de frutos, nomeadamente de citrinos de que é o maior
produtor (3/5 da produção nacional); e mercê
das suas condições edafoclimáticas,
a produção de frutos tropicais equivale já
a cerca de 1/4 da produção nacional. A produção
de leite e de bovinos é igualmente importante a nível
regional, mas insignificante no cômputo geral.
As regiões da Madeira e dos Açores continuam
muito dependentes da agricultura, principalmente os Açores,
cujo setor leiteiro é particularmente importante
tendo a produção anual quase duplicado nos
últimos dez anos, representando atualmente, cerca
de 1/4 da produção portuguesa (500 000 ton).
Muitas terras aráveis foram convertidas em pastagem
para o gado leiteiro, principalmente entre os anos 60 e
70 do século passado, originando importantes problemas,
quer ambientais, quer de escoamento do excesso de carne
de vaca, e a escassez de matéria-prima para a indústria
açucareira local.
As explorações agrícolas portuguesas
evoluíram muito nos últimos dez anos. Em 2001,
a superfície agrícola utilizada (SAU) ascendia
a 3 838 000ha (42% do território nacional), dos quais
42% correspondiam a terras aráveis, 36% a áreas
de prados e pastagens permanentes, 20% a culturas permanentes.
No conjunto, 85% da superfície agrícola localizava-se
em áreas consideradas desfavorecidas, das quais 29%
em áreas ‘montanhosas’ o que constitui
mais um obstáculo à intensificação
da agricultura.
Nesta última década,
a área da SAU diminuiu 182 000ha (4,5%), dos quais
739ha referentes a terras
Variação
da SAU, 1989/1999 (%) |

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aráveis (31,5%). Neste
intervalo foram encerradas 34 600 explorações
agrícolas (7,7%), afetando principalmente as de
dimensão inferior a 5ha); contudo, a sua distribuição
por área continua muito desequilibrada: 55% tem menos
de 2ha e 79% menos de 5ha. Em contrapartida, as poucas explorações
com 100ha ou mais concentram mais de metade (53%) da SAU
total. As explorações agrícolas estão
hoje muito melhor equipadas do que em finais da década
de 80. Apenas em dez anos (1989/99), o número de
tratores aumentou 27%, cifrando-se em 168 500 unidades,
isto é, em média, está presente 1 em
cada 3 explorações; ou seja, no mesmo período,
passou de uma média de 3,3 tratores por cada 100ha
de SAU para 4,4 o que revela uma significativa melhoria
das condições de mecanização,
mais ainda porque foi também acompanhada por um ligeiro
aumento de potência das máquinas agrícolas.
Variação
do número de tratores, 1989/1999

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