ATLAS DE PORTUGAL

O PAÍS SOCIOECONÓMICO

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Fernando Ribeiro Martins

ATIVIDADES DA TERRA
A agricultura

Terra arável dentro das explorações, 1999

Terra arável dentro das explorações, 1999

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Desde a adesão de Portugal à ex-CEE, a produção agrícola tem crescido menos do que a oferta

Ocupação do solo, 1999

Ocupação do solo, 1999 Legenda
Ocupação do solo, 1999

alimentar. O resultado é um défice crescente do grau de autossuficiência em produtos agrícolas. Em 2002 Portugal produziu apenas 1/4 dos cereais consumidos, cerca de 2/5 do trigo e do milho, 1/3 das oleaginosas e do vinho de mesa, 2/3 da batata, 4/5 dos frutos e metade do arroz, para referir apenas alguns exemplos. Houve no entanto excedentários em alguns produtos tais como vinhos de qualidade (mais do dobro do que os consumidos) e hortícolas, (cerca de vez e meia); havia défice nas carnes de bovino, suíno, caprino e ovino, cuja produção representou pouco mais de 3/5 do consumo interno, embora o conjunto da produção animal ultrapasse ligeiramente as necessidades. A agricultura tem uma importância muito variável segundo as regiões. Em termos de emprego é especialmente importante na região Centro, mas é no Alentejo que o valor acrescentado é mais elevado. A antiga NUT Lisboa e Vale do Tejo era a região que apresentava a menor importância, embora aqui se concentrem os pomares e as vinhas mais produtivas de Portugal.

Produção agrícola total e grau de autossuficiência em produtos agrícolas, a preços correntes, 1988/2001
Comércio agroalimentar português: fluxos comerciais intra e extra comunitários, 1988/2002
Importância da agricultura a nível regional, em %

A contribuição das regiões Norte e Centro para a produção agrícola nacional tem vindo a diminuir,

Distribuição dos usos do solo, por NUT II,1999

Distribuição dos usos do solo, por NUT II,1999
Legenda
Distribuição dos usos do solo, por NUT II,1999

principalmente na região Norte (25,1% em 1995/96; 23,7% em 1990/00), embora a agricultura continue a ser muito importante na economia local destas regiões que apresentam padrões de especialização muito semelhantes quanto à produção vegetal. Os produtos hortícolas, os frutos (incluindo as uvas) e o vinho representam os principais setores da produção. O vinho é especialmente importante na região Norte, representando quase 1/5 da produção agrícola regional e mais de 2/5 da produção total nacional. As duas regiões concentram a produção nacional de centeio e mais de metade da de azeite. Apesar da quebra registada na produção animal, o desenvolvimento no setor leiteiro tem sido responsável pelo incremento de plantas forrageiras que já representam mais de 6% da produção agrícola nas duas regiões. Na região Centro, destaca-se ainda o aumento da produção de aves embora a sua contribuição para a produção total nacional tenha vindo a diminuir.

Explorações agrícolas, Salvaterra de Magos, 1999

Distribuição do uso do solo agrícola em Portugal

Distribuição do uso do solo agrícola em Portugal

Nota: os dados correspondentes ao ano 1979 referem-se apenas as Continente.

 

Na região do Alentejo, que apresenta o segundo PIB mais baixo do país (54,5% da média da UE em 2000), logo a seguir aos Açores, a agricultura representa uma parte importante da economia regional, quer como emprego, quer como valor acrescentado. Uma das suas características mais importantes é a diferente especialização, relativamente às outras regiões, o que, em certa medida, também está relacionado com a contribuição da Política Agrícola Comum (PAC), quer através de instrumentos de apoio ao mercado, como aos preços (leite, açúcar e bovinos), quer por pagamentos diretos (cereais, tabaco, oleaginosas, bovinos e ovinos). Ainda é no Alentejo que se produzem mais de 40% dos cereais do país, toda a produção de trigo duro e cerca de 70% da de trigo mole assim como a totalidade da cevada, aveia e oleaginosas. A produção de tabaco em rama, açúcar, plantas forrageiras e azeite é igualmente importante, representando entre 18% (tabaco) e 30% (açúcar) da produção nacional. Os hortícolas têm também algum peso, embora menor do que nas restantes regiões nacionais. Regista-se uma acentuada especialização no setor da carne, cuja importância aumentou ao longo da década de 90; aqui se criam mais de 1/4 dos bovinos e mais de metade dos ovinos.

1989 a 1999: uma década de evolução (%)

A agricultura na região do Algarve baseia-se principalmente na produção de frutos, nomeadamente de citrinos de que é o maior produtor (3/5 da produção nacional); e mercê das suas condições edafoclimáticas, a produção de frutos tropicais equivale já a cerca de 1/4 da produção nacional. A produção de leite e de bovinos é igualmente importante a nível regional, mas insignificante no cômputo geral.
As regiões da Madeira e dos Açores continuam muito dependentes da agricultura, principalmente os Açores, cujo setor leiteiro é particularmente importante tendo a produção anual quase duplicado nos últimos dez anos, representando atualmente, cerca de 1/4 da produção portuguesa (500 000 ton). Muitas terras aráveis foram convertidas em pastagem para o gado leiteiro, principalmente entre os anos 60 e 70 do século passado, originando importantes problemas, quer ambientais, quer de escoamento do excesso de carne de vaca, e a escassez de matéria-prima para a indústria açucareira local.
As explorações agrícolas portuguesas evoluíram muito nos últimos dez anos. Em 2001, a superfície agrícola utilizada (SAU) ascendia a 3 838 000ha (42% do território nacional), dos quais 42% correspondiam a terras aráveis, 36% a áreas de prados e pastagens permanentes, 20% a culturas permanentes. No conjunto, 85% da superfície agrícola localizava-se em áreas consideradas desfavorecidas, das quais 29% em áreas ‘montanhosas’ o que constitui mais um obstáculo à intensificação da agricultura.

Superfície agrícola utilizada

Nesta última década, a área da SAU diminuiu 182 000ha (4,5%), dos quais 739ha referentes a terras

Variação da SAU, 1989/1999 (%)

Variação da SAU, 1989/1999 (%)

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aráveis (31,5%). Neste intervalo foram encerradas 34 600 explorações agrícolas (7,7%), afetando principalmente as de dimensão inferior a 5ha); contudo, a sua distribuição por área continua muito desequilibrada: 55% tem menos de 2ha e 79% menos de 5ha. Em contrapartida, as poucas explorações com 100ha ou mais concentram mais de metade (53%) da SAU total. As explorações agrícolas estão hoje muito melhor equipadas do que em finais da década de 80. Apenas em dez anos (1989/99), o número de tratores aumentou 27%, cifrando-se em 168 500 unidades, isto é, em média, está presente 1 em cada 3 explorações; ou seja, no mesmo período, passou de uma média de 3,3 tratores por cada 100ha de SAU para 4,4 o que revela uma significativa melhoria das condições de mecanização, mais ainda porque foi também acompanhada por um ligeiro aumento de potência das máquinas agrícolas.

 

Variação do número de tratores, 1989/1999

Variação do número de tratores, 1989/1999

 

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