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No âmbito da agricultura
europeia tem vindo crescentemente a impor-se o Modo de Produção
Biológico
Repartição
da área cultivada em modo
de produção
biológico, 2002
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de produtos vegetais e animais
e a sua transformação em alimentos destinados
a homens e animais. Este modo baseia-se na interação
dinâmica entre o solo, as plantas e os animais –
incluindo o homem – conseguido pelo uso de técnicas
diferenciadas das tradicionais. A agricultura biológica,
como é vulgarmente designada, responde quer às
exigências dos consumidores quer à preservação
do meio ambiente e da biodiversidade, respeitando o ‘saber
fazer’ dos agricultores e utilizando técnicas
e produtos compatíveis com uma agricultura economicamente
viável e com a obtenção de produtos
de qualidade.
De forma muito geral, pode
dizer-se que a prática da agricultura biológica
obriga a que:
— As explorações agrícolas tenham
que passar por um período de conversão, de
duração diversa, consoante as circunstâncias;
— A fertilidade e a atividade biológica dos
solos devam ser mantidas ou melhoradas através de
culturas apropriadas, sistemas de rotação
adequados e incorporação nos solos de matérias
orgânicas específicas;
— A luta contra parasitas, doenças e infestantes,
deva ser feita através da escolha de espécies
e variedades adequadas, de programas de rotação
de culturas, de processos mecânicos de cultura e de
proteção dos inimigos naturais dos parasitas
das plantas;
— Os animais devam ser escolhidos de entre raças
autóctones ou particularmente bem adaptadas às
condições locais, devam dispor de uma área
de movimentação livre e o seu número
tem que estar em equilíbrio com a dimensão
da exploração e as produções
vegetais; a prevenção de doenças dos
animais baseia-se na seleção das raças
ou estirpes de animais, na aplicação de práticas
de produção animal adequadas às exigências
de cada espécie, na utilização de alimentos
de boa qualidade, juntamente com o exercício regular
e o acesso à pastagem e no número de animais
adequado, que evite a sobrepopulação.
No Recenseamento Geral da Agricultura (1999) era ainda reduzido
o número de explorações que recorriam
a práticas agrícolas em modo de produção
biológico (0,2%), menos lesivas para o ambiente.
Das 808 explorações recenseadas, a maior parte
localizava-se no Alentejo (35%), Beira Interior (18%) e
Trás-os-Montes (17%), sendo os arquipélagos
dos Açores (3,7%) e da Madeira (1,5%) os menos representados.
A orientação económica das explorações
era muito variada e pouco especializada, predominando a
policultura (19% dos casos), diversas culturas permanentes
(15%), a olivicultura (11%) e a fruticultura (10%). 4 em
cada 10 destas explorações tinham 50 ou mais
hectares e apenas 2 em cada 10 menos de 5ha.
Em Portugal, o número de agricultores e de área
agrícola dedicada à Agricultura Biológica
tem vindo a crescer de forma lenta mas gradual. A quebra
verificada em 1996/97 deverá ter sido causada pela
transição de ciclos de medidas de apoio, no
quadro das medidas agroambientais; mas a retoma não
tardou, correspondendo quer a uma moda, quer ao sentir da
necessidade da melhoria na qualidade alimentar.
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