Ocorrências
geomineiras

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A exploração
dos recursos mineralógicos num qualquer território,
pressupondo a sua existência, depende da tecnologia
disponível, das facilidades de transporte, das possibilidades
financeiras e da visão desenvolvimentista prevalecente
no momento. O seu caráter não renovável,
o impacte ecológico provocado pela sua extração,
a concorrência de outros locais com jazidas mais ricas
e/ou de maior facilidade de operação, a instabilidade
das cotações nos mercados internacionais,
são fatores de peso no aparecimento de obstáculos
temporais à exploração destas riquezas.
O recenseamento de recursos mineralógicos em Portugal
revela uma grande dispersão, quanto à sua
existência e variedade.
A extração de minérios metálicos
vem de longínquos tempos; sabe-se, por exemplo, que
os romanos exploraram, entre outras, algumas jazidas de
ouro; mas atualmente o seu significado não é
relevante. A atividade nas jazidas de minerais energéticos
é muito antiga; mas o carvão que se extraía
esteve sempre longe de ser, pela quantidade e qualidade,
competitivo com outras jazidas, mesmo europeias. A produção
máxima, em pouco ultrapassando as 600 000t/ano ocorreu
em 1959, acompanhando um surto industrial que então
se verificava e, embora as reservas tenham sido avaliadas
em mais de 80 milhões de toneladas, pelos anos 90
do século passado já laborava uma só
mina (Pejão), com uma produção da ordem
das 200 000t/ano, atualmente encerrada.
Portugal, com reservas de urânio relativamente importantes,
em particular no centro interior, e destaque para as áreas
de Viseu e Portalegre, foi um dos primeiros países
a explorá-lo, logo após a sua descoberta nas
jazidas da Urgeiriça, em 1907, embora o fizesse para
extração de rádio e o urânio
fosse rejeitado como ganga. Só com o advento da II
Guerra Mundial se dá valor a este recurso, matéria-prima
para a energia nuclear, atualmente produzida por fissão
dos seus átomos; a sua exploração,
a princípio descontrolada, passou a ser, a partir
de 1962, dirigida pelo Estado. Entretanto a exploração
na Urgeiriça terminou, em sequência do encerramento
da empresa em finais de 1993.
Os minerais ferrosos, indispensáveis para diversas
indústrias metalúrgicas e metalomecânicas,
apresentam reservas consideráveis, nomeadamente em
Moncorvo, Marvão, Cercal do Alentejo e na área
de Cuba-Vidigueira; mas, mais uma vez, a qualidade pouco
satisfatória torna a sua exploração
de pouco interesse. Dos minerais não ferrosos mais
importantes, como cobre, tungsténio, estanho e até
ouro, só a exploração de pirites no
Sul do País, para indústrias químicas,
resistiu até aos nossos dias mas, mesmo assim, até
a mina de Neves Corvo, uma das principais, já esteve
fechada.
Restam como atividades extrativas de sucesso, a exploração
de rochas industriais e ornamentais principalmente ligadas
à construção civil – granitos,
xistos, calcários – que ganharam fama no estrangeiro
e contribuem para melhorar o valor das exportações.
O Alentejo é o maior produtor de rochas ornamentais,
principalmente mármores e granitos.
As águas minerais têm boas potencialidades
de desenvolvimento, dada a riqueza e variedade de recursos,
utilizadas nas estâncias termais e na alimentação,
evidenciando-se o Norte e o Centro do Continente onde se
registam perto de três quartos dos recursos hidrominerais.
Apesar de uma base diversificada, a exploração
de recursos mineralógicos tem um interesse económico
limitado, o mesmo acontecendo em relação ao
valor estratégico, aqui, à exceção
do urânio.
A última década
A produção global
da indústria extrativa na última década
do século XX cresceu 30% em termos de riqueza gerada,
passando de pouco mais de 480 milhões de Euros em
1991, para mais de 620 milhões de Euros em 2001,
período esse em que a produtividade aumentou (de
34 000 para 54 700 Euros/trabalhador), em grande parte à
custa da diminuição do número de trabalhadores
(emprego direto) de 14 150 para cerca de 11 400.
— As alterações
mais negativas ocorreram no subsetor dos minerais energéticos
pelo abandono da produção de carvão
(1994) e pela diminuição drástica da
produção de urânio, entretanto terminada;
— relativamente aos minérios metálicos,
pelo arranque da produção de concentrados
de cobre e zinco na mina de Aljustrel em 1991 (interrompida
em 1993 por razões técnicas e evolução
desfavorável da cotação dos metais),
e pela paragem da produção de ouro da mina
de Jales em 1992;
— pela produção de concentrados de cobre
e de estanho provenientes da mina de Neves-Corvo, que em
1991 atingiu a produção máxima destes
concentrados (158 mil toneladas de cobre e 5 300 toneladas
de estanho), mas, de então para cá, a produção
tem vindo a decair em consequência da diminuição
do teor dos minérios extraídos, principalmente
de estanho, cujas reservas praticamente se esgotaram;
— depois de um período de atividade de mais
de quarenta anos, a produção de ferro-manganés
proveniente da mina do Cercal (distrito de Setúbal)
terminou em consequência do desmantelamento do alto
forno siderúrgico do Seixal, única unidade
consumidora deste minério;
— a produção de concentrados de tungsténio,
proveniente da mina da Panasqueira tem-se mantido, embora
muito irregular (1 029 toneladas em 1997 e 435 toneladas
em 1999) apesar das dificuldades de escoamento da produção,
o que levou ao encerramento temporário em 1994 ao
qual se seguiu a mudança de proprietário.
Prevê-se o arranque da produção de concentrados
de zinco com cerca de 50 000t/ano.
Quanto ao subsetor dos minerais não metálicos,
e de acordo com o Instituto Geológico e Mineiro (atual
ineti), o que mais se destaca é o “...desenvolvimento
(...) de rochas ornamentais (...mármores, granitos
[e ardósia, registando-se, no conjunto, a duplicação
do seu volume), a consolidação da produção
das] matérias-primas cerâmicas (caulino, feldspato,
argilas especiais e argilas comuns), e, em resposta às
necessidades de criação de infraestruturas
e renovação do parque habitacional, a produção
de areias, britas e calcário para a indústria
cimenteira...”.
Indústria extrativa:
volume e valor da produção

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Novas tendências da
indústria extrativa
O conceito de indústria
extrativa tem vindo a evoluir rapidamente, em consequência
da alteração dos paradigmas (de ‘abastecimento’
para ‘sustentabilidade’ – com particular
destaque para as questões ambientais), e da abrangência
a novos domínios de atividade económica.
Na denominada ‘nova’ indústria extrativa
incluem-se, entre outras, as atividades de extração
de águas minerais e de nascente, a geotermia (de
alta e baixa temperatura), a mineração inversa
e a exploração de areias e cascalho do fundo
do mar.
O domínio da extração de águas
minerais e de nascente é já de algum destaque,
não só por ser um setor avançado tecnologicamente,
empregar mais de 1 500 trabalhadores no ano de 2000 e ter
um volume de negócios significativo (179 milhões
de euros), mas também pelo crescimento que registou
na última década, mais que duplicando o volume
de negócios.
A geotermia atinge já alguma expressão nas
ilhas açorianas, contribuindo com 40% da energia
elétrica produzida em São Miguel, por exemplo.
No Continente destacam-se já alguns usos de geotermia
de baixa temperatura ligados a surtos em S. Pedro do Sul,
Chaves, Vizela e no Hospital da Força Aérea
(Lisboa).
Estudos efetuados em vários pontos da costa portuguesa
revelam boas perspetivas de exploração de
minerais marinhos, atividade importante em vários
países europeus como a Holanda e o Reino Unido.
No domínio da mineração inversa, entendida
como “o retorno a condições estáveis
de substâncias tóxicas ou ecologicamente perigosas
em depósito no subsolo”, estão previstos
projetos de recuperação de áreas mineiras
degradadas, que apostam também no desenvolvimento
de atividades turístico-culturais, valorizando o
património arqueológico industrial abandonado
que até há pouco tempo era encarado como um
problema de difícil resolução; os projetos
já concretizados nas minas de Lousal e Cova dos Mouros
são um bom exemplo.

Mina
de sal-gema de Campina de Cima - Loulé, Algarve.
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