Do ponto de vista setorial, após
um período de crescimento industrial, coincidindo
com a fase do ‘crescimento dourado’ das décadas
de 60 e 70, e depois das alterações estruturais
da economia na sequência da democratização
de instituições e da sociedade, a adesão
à Comunidade Europeia nos anos 80 correspondeu
a um ascendente do papel dos serviços na composição
estrutural da produção.
Atualmente, verifica-se que os serviços
contribuem decisivamente para o pib, sobretudo pelo dinamismo
nas comunicações, transportes e atividades
financeiras e imobiliárias, a par da retração
da produção agrícola e da letargia
industrial.
Produção
Interno Bruto, ótica setorial, 1999/2003

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É notória a tendência
de desinvestimento na produção agrícola,
ainda que acompanhada por melhores níveis de produtividade
e parece não haver dúvidas de que os setores
que nas últimas dezenas de anos tiveram maior impulso
foram os da construção civil e do turismo.
Este último simboliza uma especialização,
que tem sofrido nos últimos anos uma tentativa
de diversificação, tanto de produtos como
de mercados, procurando responder às tendências
mundiais nesta área.
No setor industrial, a indústria
transformadora é dominante. A dinâmica desta
atividade evidencia, no entanto, uma desaceleração
nas indústrias tradicionalmente de vocação
exportadora, como os minerais não metálicos
e os produtos em couro, a par de uma retração
nos setores do material de transporte e de máquinas
e equipamentos que espelha a situação dos
últimos anos de um crescimento sustentado pelo
consumo.
Evolução
da atividade industrial, 1999/2003

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O crescimento da economia portuguesa
entre 1995 e 1999, no âmbito do processo de desinflação
inerente à pré-adesão ao euro, permitiu
um aumento significativo do rendimento disponível
das famílias e, com a descida tendencial das taxas
de juro, a construção, nomeadamente de edifícios
residenciais, aumentou fortemente. Do ponto de vista das
obras públicas, a construção de infraestruturas
como a ponte Vasco da Gama e as autoestradas e o desenvolvimento
do Parque das Nações e, mais tarde, dos
equipamentos e infraestruturas do Euro 2004, impulsionou
a atividade da construção, implicando a
renovação do parque habitacional português.
O caráter atrativo das cidades
ditou não só a tendência de abandono
do interior, mas uma reformulação do mercado
de consumo, nomeadamente do comércio, onde em apenas
duas décadas se implantaram e consolidaram as grandes
superfícies que têm determinado a readaptação
ou simples mudança do setor, com o desaparecimento
de muitas pequenas empresas.
A estrutura do emprego evidencia a
inércia das tendências tradicionais do nosso
tipo de desenvolvimento, tal como a estrutura empresarial.
Estrutura
de emprego, 2004 |
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