No início dos anos 2000, a posição
de Portugal no comércio internacional podia-se
caracterizar do seguinte modo:
— forte presença em setores de trabalho
intensivo com fraco peso de inovação, onde
se incluem o calçado, cablagens e vestuário,
e também de setores baseados nos recursos naturais;
— presença em setores dependentes da escala
de produção, nomeadamente setor automóvel,
pouco estruturada e dependente de uma empresa dominante
– AUTOEUROPA – e de um conjunto de produtores
estrangeiros que fabricam em Portugal componentes de reduzida
complexidade;
— presença fraca na eletrónica dirigida
a um produto final – os autorrádios.
A exportação de bens intensivos em trabalho
representava em 2001 cerca de 32% do total de exportações;
os bens produzidos em economias de escala representavam
cerca de 26% e os bens obtidos de produtos naturais endógenos
cerca de 21%, o que perfaz um total de cerca de 80%. Os
bens intensivos em conhecimento representavam 11% do total
de exportações e os baseados na média
tecnologia, 9%.
Estrutura
do Comércio Externo1, 2004

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A maioria dos bens e serviços que constituem a
oferta internacional de Portugal provêm das sub-regiões
do litoral ocidental e sul, sendo o Algarve responsável
por grande parte das exportações de serviços
de turismo e o litoral ocidental pelas exportações
de bens.
Com base numa tipologia de produtos para avaliação
do desempenho das sub-regiões portuguesas face
à dinâmica do comércio internacional,
é possível aferir o tipo de competitividade
regional:
— Competitividade baseada na intensidade de trabalho
– o vestuário e acessórios de vestuário
dominam com mais de 18% das exportações
do País, seguindo-se o calçado, com pouco
mais de 6%. Os equipamentos para distribuição
de energia elétrica correspondem a cerca de 3%
do total. As sub-regiões onde dominam (mais de
10% das exportações) os bens intensivos
em trabalho são o Ave, o Grande Porto e o Cávado,
seguidas do Tâmega, Entre-Douro-e-Vouga e Baixo
Vouga (7 a 10%);
— Competitividade baseada nas economias de escala
– domínio dos bens associados ao setor automóvel,
sendo a península de Setúbal responsável
por quase metade da totalidade dos bens dependentes das
economias de escala; seguem-se Lisboa (10%) e Porto (8%);
Fatores
de competividade nas regiões do litoral,
2003 |

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Legenda |
— Competitividade baseada na intensidade dos recursos
– sobressaem o setor florestal, com 9% do total
dos bens exportados, nomeadamente cortiça e madeira,
o setor agroalimentar, com cerca de 7%; os minerais não metálicos
representam 3%. Destacam-se (com pesos entre 12 e 16%
do total das exportações respetivas) a
Grande Lisboa e o Grande Porto, Entre-Douro-e-Vouga e
Baixo Mondego;
— Competitividade baseada no conhecimento –
apesar da pouca expressividade deste fator, destaca-se
o grupo que integra os aparelhos e equipamento de telecomunicações
e de som, responsáveis por cerca de 3% das exportações,
e de iluminação, com cerca de 2%. Os produtos
medicinais e farmacêuticos apresentam valores ligeiramente
superiores a 1%. Salientam-se, uma vez mais, as áreas
da Grande Lisboa (33%) e Grande Porto (27%), península
de Setúbal (13%), Ave (12%) e Cavado (menos de
10%);
— Competitividade baseada na tecnologia e na diferenciação
– destes bens, apenas “peças separadas
e acessórios, não elétricas, de
máquinas e aparelhos” registam um valor superior
a 1%. Destacam-se a Grande Lisboa (23%) seguida do Baixo
Vouga e Grande Porto (com 14% cada).
Com o atual padrão de competitividade das exportações
a economia portuguesa está confrontada com uma
forte concorrência de várias regiões
mundiais:
— dos países asiáticos no têxtil/vestuário
e eletrónica;
— dos países mediterrâneos no têxtil/vestuário,
cablagens e produtos agroalimentares;
— dos países da Europa Central em produtos
intensivos em trabalho ou em produções de
economia de escala.
Competitividade,
2004

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Assim, podem-se retirar algumas ilações
importantes sobre o desempenho da economia portuguesa:
1. uma forte presença em setores de trabalho intensivos
em que a inovação ainda é insuficiente
para diferenciar os produtos, sendo provável a
perda de emprego em setores como o calçado, cablagens
e vestuário;
2. uma presença em setores dependentes da escala
de produção – nomeadamente no setor
automóvel – ainda pouco estruturada e em
que Portugal fabrica componentes, como cablagens, assentos,
mas cuja possibilidade de deslocalização
é sempre um cenário;
3. uma fraca presença na eletrónica, centrada
em torno de um produto final – autorrádios – em que conta com vários fabricantes;
4. um papel-chave dos investimentos principalmente alemães
nas atividades exportadoras que mais cresceram na última
década.