ATLAS DE PORTUGAL

O PAÍS SOCIOECONÓMICO

 

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Carlos Pereira da Silva

TEMPO DE TURISMO
Novos produtos

A atividade turística em Portugal estende-se para além do Algarve e do fenómeno balnear, uma vez que existem regiões que se destacam em segmentos específicos.
A região da Grande Lisboa é um bom exemplo, pois aproveita o facto de ser a cidade capital, ganhando uma crescente notoriedade através da organização de reuniões, congressos, acontecimentos desportivos e outros eventos internacionais de relevo, como foi o caso da Lisboa Capital Europeia da Cultura em 1994, da Exposição Mundial de 1998 – Expo'98 – e de um papel de destaque durante o Campeonato Europeu de Futebol de 2004. O património cultural e histórico da cidade e a sua situação geográfica privilegiada também têm contribuído para que um número crescente de navios de cruzeiro faça escala no Porto de Lisboa.
A procura de novos produtos turísticos – como o golfe, o turismo de natureza ou o rural – impõe-se como uma das principais medidas para diminuir a excessiva dependência do turismo balnear e para permitir taxas de ocupação em estabelecimentos hoteleiros mais constantes. À exceção da Madeira, Algarve, Grande Lisboa e Açores, os valores das taxas de ocupação dos alojamentos turísticos no restante território nacional podem ser considerados fracos, na medida em que se situam abaixo dos 40%.
O golfe é um dos novos produtos que embora ainda se concentre em maior número nas regiões tradicionalmente turísticas – como o Algarve, Lisboa e Madeira – tem vindo a merecer alguma descentralização. Esta realidade permite, simultaneamente, tirar melhor partido das condições climáticas do
território português e da existência de um parque hoteleiro qualificado, atraindo turistas com maior poder de compra e com tempos de permanência mais longos. Por tudo isto, é de esperar que o golfe venha a ter um papel de maior destaque no turismo nacional, não sendo de recear a sua competição com outros destinos e atividades.
O termalismo é outro produto turístico que também começa a ganhar um maior destaque no panorama português. Até há relativamente pouco tempo, e não obstante os estabelecimentos hoteleiros de qualidade que lhe estavam afetos, o termalismo era associado a doenças e a estratos etários mais elevados. Na sequência de novos hábitos de consumo e do avanço da medicina, esta opção terapêutica começou a perder importância, o que se refletiu na perda de clientes, de receitas e na consequente degradação dos equipamentos.

Esta fase parece ter sido ultrapassada, assistindo-se atualmente a um novo vigor no desenvolvimento do termalismo em Portugal, o que se reflete não só numa maior qualificação da oferta mas também num maior aumento da procura,

 

Estadia média por hóspede em estabelecimentos hoteleiros, 2002

  Estadia média por hóspede em estabelecimentos hoteleiros, 2002
 

Parques de campismo, 2003

  Parques de campismo, 2003
  Exemplo de desenvolvimento turístico baseado na procura balnear (Porto Corvo, Sines)
 

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que poderá estar relacionado com uma tentativa de fuga ao stress e aos ritmos de vida urbanos, cada vez mais intensos. Obedecendo a uma relativa dispersão geográfica pelo país e marcando a sua presença em áreas de menor tradição turística, o termalismo pode ainda desempenhar um importante papel de dinamização em áreas economicamente deprimidas, que poderão encontrar nesta atividade turística de exceção um novo fôlego.
Um outro tipo de produto que tem vindo a ser encarado como uma forte possibilidade de diversificação e consequente criação de riqueza é o turismo em espaço rural. As múltiplas áreas rurais que assistiram à quase extinção da atividade agrícola podem encontrar neste tipo de turismo uma forma de gerar rendimentos complementares à agricultura; de recuperar níveis demográficos; a conservação e/ou recuperação de patrimónios arquitetónicos; a dinamização e divulgação de produtos regionais como o artesanato ou a gastronomia e, sobretudo, a manutenção da paisagem e de modos de vida tradicionais. A oferta deste tipo de turismo encontra-se mais concentrada no litoral norte de Portugal – cerca de 1/3 do total nacional – e no Alentejo – com mais de 10% – duas áreas que, tradicionalmente, não costumavam fazer parte dos destinos turísticos mais comuns.
Assim se compreende a importância atribuída ao turismo rural, cada vez mais procurado em virtude do respeito e valorização da questão ambiental, que encontra em grande parte do interior do Continente português e nas ilhas da Madeira e Açores condições impares para o seu desenvolvimento. É de salientar o caso emergente dos Açores, que procura atrair um mercado mais interessado no contacto com os valores naturais tirando o melhor partido da sua grande qualidade paisagística, em detrimento da grande massificação turística. A reduzida capacidade de alojamento e a menor acessibilidade são ainda entraves a um maior desenvolvimento deste setor, embora se adivinhem soluções nesse sentido para um futuro próximo, uma vez que as campanhas de promoção deste destino turístico têm desencadeado um aumento da procura no mercado interno e externo.

 

Praias com Bandeira Azul, 2004

 

Concelhos com estabelecimentos termais, 2002

Praias com Bandeira Azul, 2004   Concelhos com estabelecimentos termais, 2002

Turismo rural, 2002

 

Campos de golfe, 2002

Turismo rural, 2002   Campos de golfe, 2002

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