ATLAS DE PORTUGAL

O PAÍS SOCIOECONÓMICO

 

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Lourdes Poeira

POLÍTICAS DO TERRITÓRIO
O Planeamento

A organização e administração dos territórios não se limitam a medidas delimitadoras de subterritórios para controlo da prática administrativa. Para enquadrar decisões, Planos e Programas permitem chegar a concretizações pré-definidas e avaliadas em custos e impactes, no quadro dos objetivos e orientações do desenvolvimento territorial, quer quanto à organização do espaço (planos de ordenamento), quer quanto ao desenvolvimento SOCIOECONÓMICO (planos de desenvolvimento).
O Sistema de Planeamento Português começou a ser estruturado, a diversas escalas, na década de 70 do século xx, ainda que já existissem Planos de Ordenamento, para determinados objetivos e áreas, principalmente urbanas, como o caso de Lisboa e Costa do Estoril, e de Desenvolvimento como foram os Planos de Fomento e o projeto de Sines. Contudo, os ensaios dos anos 70 e 80 pecam pela falta de articulação entre as orientações definidas nos diplomas de então.
Atualmente, o Sistema de Planeamento Português, no que concerne os Planos de Ordenamento e de Desenvolvimento, inclui três escalas em estreita interdependência: nacional, regional e local. Nos dois primeiros níveis, os Planos são estratégicos e a nível local inserem-se as preocupações com o ordenamento do território.
O primeiro nível a ser estruturado foi o concelhio, até pela obrigatoriedade, criada então, da existência de Plano Diretor Municipal, pdm, para aceder aos Fundos de Desenvolvimento Regional da Comunidade Europeia. Hoje todos os concelhos têm pdm e muitos estão em fase de revisão, dez anos passados sobre a respetiva aprovação e ratificação pelo governo central.
O mesmo não se pode dizer dos Planos Regionais de Ordenamento do Território, prot, cuja malha continua aberta. A nível nacional deverá ser estabelecido o pnpot, Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território, o qual deverá propor as linhas mestras que norteiem a melhor organização espacial do território português.
Ainda no quadro do Sistema de Planeamento Português estão definidos outros tipos de Planos de Ordenamento, como é o caso dos Planos Especiais de Ordenamento do Território, peot, aplicáveis a situações territoriais que requerem cuidados especiais, como é o caso das áreas envolventes das albufeiras criadas pelas barragens, os Planos de Ordenamento da Orla Costeira, pooc, e os Planos Setoriais, Planos de desenvolvimento setorial com incidências diretas no espaço, todos estes de nível regional e cujos objetivos deverão integrar os definidos nos prot. Também os objetivos e propostas dos pdm deverão ser compatibilizados com os dos planos regionais.
Com o objetivo de ajustar e ordenar as diferentes realidades do nosso processo de desenvolvimento, diversas áreas de atuação territorial têm proposto outros tipos de plano ou simplesmente definido espaços de ação fora do Sistema de Planeamento Português. É o caso do Ambiente, com a definição das Áreas Protegidas para territórios de excecional importância em matéria de recursos naturais; o caso da gestão das Redes Hidrográficas, através da definição das Áreas de Bacia Hidrográfica; os casos que se prendem com a gestão da economia regional onde sobressaem as Regiões de Turismo e as Regiões Vinícolas, hoje Regiões com Denominação de Origem.
Ainda do ponto de vista da melhoria do desempenho das potencialidades territoriais, têm-se definido diversos programas setoriais, alguns deles com evidentes resultados regionais ou locais como os que se têm preocupado com as cidades e outros espaços urbanos portugueses. Estes programas têm o mérito de reforçar o papel que os centros urbanos em geral, classificados ou não como cidades, evidenciam na estruturação do território. Destacam-se, assim, os que incidiram na cidade como um todo, como o prosiurb, Programa de Consolidação do Sistema Urbano Nacional, definido no final dos anos 80 do século xx e que se propunha reforçar o papel das cidades médias portuguesas, maioritariamente capitais de distrito; anteriormente, e com menos recursos, o praud, Programa de Renovação das Áreas Urbanas Degradadas, incidiu principalmente nos centros históricos.
De cariz mais setorial mas com grande importância principalmente quando em sinergia com outros programas, devem-se nomear o procom/urbcom destinado a renovar e reestruturar o comércio urbano; o recria, Regulamento Especial de Conservação e Renovação de Imóveis e o per, Programa de Erradicação de Barracas, destinado às Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto. Todas estas medidas ajudaram os centros urbanos portugueses a saírem de algumas dificuldades, por vezes sérias, de ordenamento e gestão urbanística, geradas nos anos 60 do século xx e decorrentes de uma desestruturação profunda da economia portuguesa que empurrou as populações do interior para as cidades, principalmente do litoral, em busca de melhores condições de vida.
O polis, Programa de Requalificação Urbana e valorização Ambiental das Cidades, é a mais recente iniciativa da Administração Central para reforçar a melhoria da qualidade urbana das cidades portuguesas, aproveitando disponibilidades financeiras do iii Quadro Comunitário de Apoio.

 

Planos Diretores Municipais por ano de ratificação

Planos Regionais de Ordenamento do Território aprovados

Programas Urbanos – PRAUD, PROSIURB e POLIS

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