A apreciação conjunta destes indicadores, os possíveis
e comuns a todo o país, no sentido de abordar a questão
da qualidade de desenvolvimento em Portugal, proporciona
uma imagem pouco consolidada e coerente de qualidade do
desenvolvimento.
Nas questões da habitação/população, verifica-se em simultâneo
existir maior número de alojamentos do que famílias, mesmo
em regiões menos afetadas pela emigração e pelo turismo,
assim como baixo número de pessoas por alojamento; os
valores mais altos de alojamentos face às famílias registam-se
na sub-regiões interiores coexistindo com a mais baixa
taxa de ocupação dos mesmos, ou seja, o interior de Portugal
está duplamente despovoado.
Não se estranha que os valores mais elevados de consumo
doméstico de eletricidade estejam nas sub-regiões do
litoral, bem como a mais elevada permilagem de veículos
ligeiros e mistos.
O mesmo não se pode dizer dos consumos de água cuja ligação
ao modo de vida urbano depende mais dos estilos de vida
do que da taxa de urbanização, encontrando-se, por isso,
uma forte ligação de elevados consumos às sub-regiões
turísticas.
Nos sistemas que tratam as águas residuais ou que reciclam
os resíduos, no sentido de melhorar as condições ambientais,
verifica-se um melhor desempenho, em média no território
de Portugal, nos Sistemas de Drenagem de Águas Residuais
do que em ETAR ou Reciclagem de Resíduos, não sendo, no
entanto, muito evidente a dicotomia Litoral-Interior.
Se a distribuição geográfica dos valores da taxa de mortalidade
infantil estão dependentes do acesso aos cuidados de saúde,
o índice de envelhecimento evidencia que as regiões despovoadas
são também envelhecidas.
Nessas sub-regiões, o balanço entre os depósitos e os
créditos bancários pende a favor dos primeiros, situação
muito ligada às características do povoamento já assinaladas,
mas também ao facto de serem essas as regiões que mais
beneficiam dos dinheiros da forte emigração desde sempre
aí registada.
Assim, se a mais elevada permilagem de superfície desportiva
útil existe em muitas sub-regiões do interior, podemos
concluir que o respetivo planeamento não teve em conta
dados básicos demográficos respetivos.
A permilagem de médicos, para além de evidenciar valores
elevados nas principais sub-regiões urbanas do país, situação
esperada, apresenta a restante distribuição bastante incaracterística.
A análise das permilagens dos profissionais qualificados
e dos licenciados reforça uma certa dicotomia entre sub-regiões
mais urbanas do litoral e sub-regiões do interior, embora
nestas seja evidente a importância dos polos universitários
que explicam algumas permilagens mais elevadas de licenciados
como nos casos das sub-regiões do Centro e Norte e, também
de iniciativas de dinamização económica que explicam algumas
permilagens de profissionais qualificados, como é o caso
da Beira Interior Sul.
Existe então um país do litoral ocidental e sul, a que
se acrescenta o Alentejo Central, onde os indicadores
configuram, pelo menos, um estilo de vida francamente
urbano, com melhores indicadores clássicos de desenvolvimento,
com mais dívidas que aforros e uso acentuado de veículos
privados; o país interior tem menos dinâmica demográfica
e por isso beneficia de mais fácil acesso a serviços básicos,
saneamento e tratamento de resíduos, ou a equipamentos,
no caso, os desportivos, e talvez por isso ainda usa menos
o veículo privado, aforra mais do que gasta, apresenta
benefícios a explorar no futuro a partir de uma população
que também já tem acesso a educação superior e que demonstra
alguma iniciativa no sentido de uma nova fase de desenvolvimento
económico.
As Regiões Autónomas apresentam características entre
o Litoral e o Interior de Portugal Continental.