ATLAS DE PORTUGAL

O PAÍS SOCIOECONÓMICO

 

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Lourdes Poeira

POLÍTICAS DO TERRITÓRIO
A qualificação e o desevolvimento sustentável

Os processos de desenvolvimento têm a vantagem intrínseca dos seus objetivos mas também outras, como sejam o melhor conhecimento dos territórios e das comunidades para além de acordarem nestas o interesse pelas suas próprias condições de vida face ao que hoje se preconiza a nível de qualidade.
O Portugal do final do século xx já é um Portugal no caminho dos cânones mais atuais em matéria de desenvolvimento, ainda que, no quadro dos países da União Europeia, se ressinta de algum desfasamento.
No que concerne as conduções básicas de vida, como o acesso às infraestruturas de água e saneamento e energia, redes de transportes e comunicações, nomeadamente telecomunicações, todos os indicadores evidenciam um salto qualitativo notável, tendo em conta o défice em meados dos anos 70 do século passado. Quanto a indicadores de qualificação mais sofisticados, é notória a evolução nos centros urbanos, onde reside 80% da população portuguesa, a partir dos quais se tem evoluído no sentido da promoção dos parâmetros de vida das populações da área rural, muito despovoada.
Para tanto tem contribuído algum ‘regresso à origens’ de alguma população urbana, mais jovem, que vê na área rural, até há bem pouco só apetecida por estrangeiros em fuga da pressão do grande desenvolvimento europeu, a chave de sucesso para projetos especiais económicos mas também sócio-culturais. Quer isto dizer, mais do que caracterizar novos e peculiares modos de vida, que o nosso território conseguiu manter a atratividade e o interesse que desde tempos remotos o individualizaram, seja pela variedade paisagística, pela proximidade do mar, pela amenidade do clima ou simplesmente porque, apesar de tudo, tem e mostra uma identidade forte e peculiar na Ibéria e na Europa.

Entre os indicadores que melhor podem caracterizar os resultados do processo de desenvolvimento e qualificação do território português, selecionaram-se os seguintes, por nut iii:

 

A apreciação conjunta destes indicadores, os possíveis e comuns a todo o país, no sentido de abordar a questão da qualidade de desenvolvimento em Portugal, proporciona uma imagem pouco consolidada e coerente de qualidade do desenvolvimento.

Nas questões da habitação/população, verifica-se em simultâneo existir maior número de alojamentos do que famílias, mesmo em regiões menos afetadas pela emigração e pelo turismo, assim como baixo número de pessoas por alojamento; os valores mais altos de alojamentos face às famílias registam-se na sub-regiões interiores coexistindo com a mais baixa taxa de ocupação dos mesmos, ou seja, o interior de Portugal está duplamente despovoado.

Não se estranha que os valores mais elevados de consumo doméstico de eletricidade estejam nas sub-regiões do litoral, bem como a mais elevada permilagem de veículos ligeiros e mistos.

O mesmo não se pode dizer dos consumos de água cuja ligação ao modo de vida urbano depende mais dos estilos de vida do que da taxa de urbanização, encontrando-se, por isso, uma forte ligação de elevados consumos às sub-regiões turísticas.

Nos sistemas que tratam as águas residuais ou que reciclam os resíduos, no sentido de melhorar as condições ambientais, verifica-se um melhor desempenho, em média no território de Portugal, nos Sistemas de Drenagem de Águas Residuais do que em ETAR ou Reciclagem de Resíduos, não sendo, no entanto, muito evidente a dicotomia Litoral-Interior.

Se a distribuição geográfica dos valores da taxa de mortalidade infantil estão dependentes do acesso aos cuidados de saúde, o índice de envelhecimento evidencia que as regiões despovoadas são também envelhecidas.

Nessas sub-regiões, o balanço entre os depósitos e os créditos bancários pende a favor dos primeiros, situação muito ligada às características do povoamento já assinaladas, mas também ao facto de serem essas as regiões que mais beneficiam dos dinheiros da forte emigração desde sempre aí registada.

Assim, se a mais elevada permilagem de superfície desportiva útil existe em muitas sub-regiões do interior, podemos concluir que o respetivo planeamento não teve em conta dados básicos demográficos respetivos.

A permilagem de médicos, para além de evidenciar valores elevados nas principais sub-regiões urbanas do país, situação esperada, apresenta a restante distribuição bastante incaracterística. A análise das permilagens dos profissionais qualificados e dos licenciados reforça uma certa dicotomia entre sub-regiões mais urbanas do litoral e sub-regiões do interior, embora nestas seja evidente a importância dos polos universitários que explicam algumas permilagens mais elevadas de licenciados como nos casos das sub-regiões do Centro e Norte e, também de iniciativas de dinamização económica que explicam algumas permilagens de profissionais qualificados, como é o caso da Beira Interior Sul.

Existe então um país do litoral ocidental e sul, a que se acrescenta o Alentejo Central, onde os indicadores configuram, pelo menos, um estilo de vida francamente urbano, com melhores indicadores clássicos de desenvolvimento, com mais dívidas que aforros e uso acentuado de veículos privados; o país interior tem menos dinâmica demográfica e por isso beneficia de mais fácil acesso a serviços básicos, saneamento e tratamento de resíduos, ou a equipamentos, no caso, os desportivos, e talvez por isso ainda usa menos o veículo privado, aforra mais do que gasta, apresenta benefícios a explorar no futuro a partir de uma população que também já tem acesso a educação superior e que demonstra alguma iniciativa no sentido de uma nova fase de desenvolvimento económico.

As Regiões Autónomas apresentam características entre o Litoral e o Interior de Portugal Continental.

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