A
epopeia dos Descobrimentos levou os portugueses a procurar
alternativas de vida pelos cinco continentes, transformando-os
desde cedo numa espécie de emigrantes no seu
próprio império.
Se o povoamento das ilhas atlânticas dos Açores
e Madeira se fez com população maioritariamente
originária de Portugal, o de Cabo Verde também
viria a contar com muitos portugueses que, posteriormente,
se foram miscigenando principalmente com africanos da costa
fronteira, alargando-se ainda estes agrupamentos às
terras do Brasil. Assim se traçaram os primeiros contornos
da emigração enquanto fenómeno estrutural
da sociedade portuguesa, talvez mais impulsionada pelas necessidades
de sobrevivência de muitos do que pelo desejo de aventura
e glória de alguns. Face aos parcos recursos naturais
e à quase total dependência de uma actividade
agrícola pobre e de proveitos muito variáveis,
as sucessivas vagas de emigração a que Portugal
foi assistindo desde o século xv deixaram marcas consideráveis
a nível interno, mas foi graças a elas que
a cultura e língua portuguesas conheceram uma notável
expansão mundial.
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