Para além de uma
boa parte da África negra e do gigantesco Brasil,
os portugueses estenderam a sua presença a diversos
pontos do Oriente, ora deixando testemunhos mais ténues
da sua passagem, como é o caso do Japão e
Malaca, ora perpetuando a sua herança cultural em
territórios que governaram até ao século
xx, como aconteceu com Goa, Damão, Diu, Macau e
Timor.

Uma vez dissolvido o Império, continuam a prevalecer
no espaço português de outrora os inconfundíveis
traços da sua arquitectura que, em conjunto com a
língua, compõem as marcas privilegiadas de
um património cultural que não só impõe
uma referência obrigatória ao passado histórico
dos lugares, como celebra a expansão da alma portuguesa
pelo mundo.
Em Goa, o intenso comércio mantido
pelos portugueses, entre as suas diversas possessões
do Oriente e a Europa, fez desta cidade uma das mais
ricas e famosas do universo de então. Em 1557
e ainda em contínuo desenvolvimento, dizia-se
que Goa era “tão grande e bela como Lisboa”.
E na verdade, as evidentes influências portuguesas
no espaço construído ainda fazem dela
um território à parte no contexto da
União Indiana, com uma paisagem cultural quase única
e rigorosamente delimitada pela fronteira. O ex-libris
de Macau continua sendo a fachada de granito do velho
Colégio Madre de Deus, que sobreviveu ao incêndio
de 1835 e onde, em 1592, os jesuítas haviam
fundado a primeira Universidade ocidental. |
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E se a
expansão portuguesa sempre se caracterizou por um
complexo processo de aculturação, em nenhum
outro lado ela foi tão importante e profunda como
no Brasil, onde são por demais evidentes os exemplos
de arquitectura portuguesa espalhados naquele imenso território.
Nas antigas colónias africanas, a ainda recente descolonização,
em conjunto com os estreitos laços de cooperação
e o elevado grau de mobilidade das populações
para Portugal, faz com que as marcas da cultura portuguesa
se confundam com as locais, numa imbricação
que se vai perpetuando no tempo e em espaços que falam
a mesma língua.

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Com
efeito, a língua portuguesa é,
provavelmente, a expressão mais profunda da
nossa identidade e o elo privilegiado de ligação
entre o povo português – na sua heterogeneidade
cultural interna – e as novas nações
que ele ajudou a fundar, mantendo-se até à actualidade
como língua oficial das cinco antigas colónias
de África (Cabo Verde, Guiné Bissau,
S. Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique),
para além do Brasil e de Timor.Na Ásia
também continua a ser possível ouvir falar
o português nos territórios indianos de
Goa, Damão e Diu, muito embora os grupos de falantes
sejam cada vez mais restritos com o passar dos anos e
o mesmo tenda a acontecer também no caso de Macau,
onde a posse administrativa portuguesa se prolongou mais
no tempo. Quanto ao jovem Timor livre, é de esperar
que a língua lusa se vá diluindo lentamente
entre os dialectos locais e o inglês, que acaba
por ser a língua franca em tão longínqua
parte do mundo. |
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