N O V I D A D E S & E V E N T O S

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Exemplar do mais antigo mapa de Portugal (1561)

Recentemente foi anunciado publicamente a importante aquisição, em leilão, pela Biblioteca Nacional de Portugal de um dos primeiros espécimes impressos do chamado Portugal Deitado, da autoria de Fernando Álvaro Seco. Esta relevante compra foi igualmente noticiada em alguns órgãos de comunicação social, nomeadamente no Jornal Público assim como no Rostos On-line.

A leitura dos referidos artigos ajuda-nos a entender a importância da carta manuscrita original e de todas as subsequentes edições impressas, como a citada no artigo.

No entanto, aproveitando a ocasião, gostaríamos de chamar a atenção para o exemplar do Portugal Deitado existente na Cartoteca do IGP e que tem sido usado como uma imagem de marca deste organismo e seus antecessores.

Esta Carta não só é importante pela antiguidade (é a Carta mais antiga do nosso Arquivo de cartografia antiga), mas essencialmente, porque representa o primeiro levantamento, em grande escala, e apoiado em métodos matemáticos, talvez mesmo trigonométricos, que se conhece de todo um território de um Estado, e como é dito no comunicado da BNP: a primeira imagem cartográfica que representa Portugal isoladamente e no seu conjunto.

Após esta primeira edição, de que a BNP adquiriu um exemplar e existe um outro na Universidade de Coimbra, depositado pelo grande coleccionador Nabais Conde, algumas outras Cartas semelhantes foram efectuadas com base nesta. De igual forma foram publicados toda uma série de Atlas ilustrados, onde variantes deste mapa foram igualmente impressos. Algumas destas cartas são semelhantes entre si, mas outras apresentam mesmo rectificações técnicas, como sejam as latitudes representadas, assim como os temas da iconografia apresentada e, por vezes, a toponímia também apresenta algumas diferenças.

O famoso Atlas Theatrum Orbis Terrarum, impresso primeiro em Antuérpia e depois em Amesterdão, da autoria de Abraham Ortelius (1570) foi a primeira publicação onde a Carta foi publicada e difundida por toda a Europa, havendo só deste Atlas pelo menos 41 edições, sendo a última editada em 1612. Também outros famosos cartógrafos publicaram a carta, em várias edições de Atlas: Gerard de Jode, Jodocus Hondius, Gerardus Mercator, os Blaeuw, entre outros.

Sobre a Carta aqui apresentada trata-se de um espécime brilhantemente ilustrado de uma edição holandesa ou flamenga, datada de ca. 1630, da autoria da família Blaeuw (Amesterdão) e tem como título “Portugallia et Algarbia quae olim Lusitania. Auctore Vernando Alvero Secco”.

Por raramente ser apresentado mostramos igualmente o reverso da carta , e assim podemos facilmente perceber que a carta em si era uma imagem impressa (por talho-doce ou chapa de cobre) inserida numa publicação de conhecimento histórico-geográfico: um Atlas. Como poderão verificar a informação escrita refere-se ao então denominado Reino de Portugal e dos Algarves.

A Cartoteca Digital do IGP tem ainda acessível outro exemplar original do Portugal Deitado, de Álvaro Seco, igualmente datado ca. 1630. É de um outro autor – Jodocus Hondius (Baptista Doetecomius sculp) e como poderão verificar, não obstante serem coevas são muitas as diferenças iconográficas em relação ao outro exemplar. Pensa-se que terá sido usado para ilustrar um outro atlas, dito de Atlas de Mercator-Hondius.

O espécime original não se encontra no IGP pois pertence a uma colecção particular, mas o proprietário autorizou ao Instituto a sua digitalização e total usufruto da sua imagem, assim como de uma outra Carta de Portugal, francesa, datada de 1695.