C A R T O T E C A

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O R I G E NS

A Cartoteca foi criada como setor orgânico do extinto Instituto Geográfico e Cadastral em 1967. Pode todavia afirmar-se que as coleções começaram a ser formadas de forma consequente desde que, no início do século XIX, foi criado em Portugal um organismo público de âmbito nacional incumbido de desenvolver atividade regular nas áreas da Geodesia e da Cartografia. Sendo o herdeiro direto dessa tradição institucional, o IGP tem hoje à sua guarda cerca de dez mil documentos cartográficos, na sua maioria portugueses, cobrindo de forma representativa o período que vai desde o século XVIII até à atualidade, e áreas geográficas muito variadas, com maior incidência em Portugal, no Brasil e nas antigas colónias africanas.

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O documento mais antigo constante do Fundo Documental da Cartoteca é uma carta da autoria de Fernando Álvaro Seco, frequentemente designada por Portugal Deitado, cujo primeiro exemplar conhecido data de cerca de 1561. Do século XVIII a coleção inclui, entre outros, um conjunto de cartas que seguiram para o Brasil com a Corte de D. João VI, em 1807, e foram recuperadas sessenta anos mais tarde, através de um convénio luso-brasileiro que estabeleceu a troca dessas cartas por cartografia do território brasileiro então existente em Portugal.

Poster do Portugal deitado

Da cartografia portuguesa do século XIX destaca-se o conjunto de cartografia elaborada no âmbito do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, sob a direção de Filipe Folque, com relevo para a Carta da Cidade de Lisboa, à escala 1:1 000, e para a Carta Corográfica de Portugal, à escala 1:100 000. Os vários diplomas atribuídos a esta Carta em certames internacionais, nomeadamente a Carta de Distinção conferida no Congresso Internacional das Ciências Geográficas em 1875 e o Diploma de Grande Prémio conferido na Exposição Universal de Paris de 1900, encontram-se igualmente à guarda do IGP.

O fundo documental relativo ao século XX, para além das coleções de cartografia topográfica e cadastral elaborada pelos organismos que antecederam o IGP e pelo próprio IGP, compreende um elevado número de cartas provenientes de outros organismos produtores nacionais, como o Instituto Hidrográfico, o Instituto Geográfico do Exército (ex-Serviço Cartográfico do Exército) e o Instituto Geológico e Mineiro (ex-Serviços Geológicos de Portugal), bem como de organismos congéneres estrangeiros.

Em 1996 foi iniciada a gravação dos documentos cartográficos em suporte digital, com o objetivo de preservar a coleção e de constituir um registo documental facilmente acessível. Criou-se desta forma uma alternativa para a consulta das cartas, evitando-se o manuseamento direto dos originais. Neste momento encontram-se já digitalizados cerca de 1200 documentos, entre os quais se encontram os mais representativos da coleção de cartografia antiga.

Em finais dos anos 90 deu-se início ao desenvolvimento e integração do tratamento histórico, cartográfico, bibliográfico e museológico num Sistema de Informação Documental, integrando a Cartoteca, a Biblioteca e o Núcleo Muselógico do IGP. Encontrando-se à disposição dos utilizadores um catálogo informatizado, onde poderão encontrar informação catalográfica relativa aos documentos digitalizados e visionar as imagens respetivas num terminal de pesquisa dedicado.

A Cartoteca presta serviços de reprodução dos documentos nos suportes digital e analógico, e em diversos formatos.

Filipe Folque